domingo, 11 de novembro de 2012

Ansião e suas vilas




Texto retirado do site:  http://www.carlosleiteribeiro.caestamosnos.org/Distritos_Portugueses/Leiria.html

Ansião – (Concelho do Distrito de Leiria)









Foi-lhe concedido o título de mordomado pelo foral de Coimbra de 1465. Recebeu foral de D. Manuel l, em 1514. D. Afonso Vl elevou-a à categoria de vila, em 1663, e D. Pedro ll (de Portugal) doou-a a D. Luís de Meneses, conde da Ericeira. Vários povos habitaram esta região como os Iberos, Celtiberos e Lusitanos; dos Romanos ficaram moedas, mosaicos, pesos de tear, colunas, mós, etc. Dominada pelos árabes, cujo legado é rico em vocábulos e lendas, a região foi palco de violentas lutas aquando da Reconquista cristã.
Tem pelourinho com uma base suportada por várias bolas de pedra, de arranjo recente, mas cuja origem remonta ao foral concedido Por D. Manuel l. Um pouco abaixo do pelourinho, na ponte à entrada da povoação, uma lápide em latim recorda o senhorio dos condes da Ericeira sobre a vila e assinala a vitória, em 1689, na Batalha do Ameixial.
Origem do nome:
«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Conta uma lenda que no reinado de D. Dinis, este e a Rainha Santa Isabel muitas vezes passaram no local, nas suas repetidas idas e vindas entre Coimbra e Lisboa, encontrando sempre lá um pobre e solitário cabouqueiro, que vivia numa cabana já muito alquebrado pela idade. A esposa de D. Dinis, afeiçoada ao velho, nunca passava sem lhe deixar o socorro da sua esmola e da sua consolação, donde resultou que as pessoas da sua comitiva começaram a chamar ao local “a terra do ancião”. Porque isto começasse a constar, e porque o local fosse fértil atraindo habitantes, outras choupanas se vieram juntar à do Cabouqueiro e assim teve origem a povoação, que depois passou a chamar-se simplesmente Ancião (Ansião).

Ansiãohttp://enciclopedia.tiosam.com/enciclopedia
Ansião / por Manuel Augusto Dias
Ansião é sede de Concelho, de Arciprestado e de Comarca, pertence ao Distrito de Leiria e à Diocese de Coimbra, e possui uma localização intermédia entre o Litoral e o Interior, enquadrando-se, geograficamente, na zona do Pinhal Interior Norte.
Em termos de acessibilidades, Ansião é servido pelos Itinerários Complementares IC8 e IC3 que ligam, respectivamente, Figueira da Foz a Madrid e Condeixa-a-Nova a Setúbal, tendo nas suas proximidades os Itinerários Complementares IC1 e IC2.
Beneficia, igualmente, do nó de acesso à auto-estrada em Pombal (20 km a Oeste), bem como da principal via ferroviária (linha do Norte) situada nessa cidade (16 km a Oeste).
Ansião situa-se ainda no centro de um conjunto de pontos de muito interesse turístico, distando poucos quilómetros de locais tão interessantes como Fátima, o "Altar do Mundo", Coimbra, uma cidade monumental, Figueira da Foz, uma cidade à beira mar com praias encantadoras e Lisboa, capital do país e uma das mais belas do mundo.
Com uma área de 180 km² e uma população de cerca de 15.000 habitantes, com uma densidade populacional média de 86,11 hab/km². O Povoamento do concelho é fortemente disperso. Com base nos dados do último censo, 46,0 % da população vivia em lugares com menos de 100 habitantes e 76,1 % dos lugares tinham menos de 100 habitantes. Verifica-se uma tendência fixadora de população nas freguesias de Ansião, Avelar e Santiago da Guarda. A Estrutura Etária da população do concelho tem, nas últimas décadas, evoluído no sentido de um acentuado aumento do contingente do grupo etário de 65 e mais anos, de um decréscimo da população jovem e de um ligeiro aumento da população em idade activa. Em 1997 a Taxa de Natalidade do concelho, foi de 8,1%o. A Taxa de Mortalidade situou-se nos 7,9%o. As principais causas de morte no concelho são: acidentes vasculares cerebrais, doenças do coração e tumores malignos.
O Município de Ansião pertence à Associação de Municípios da Alta Estremadura.
O Concelho de Ansião é constituído por 8 freguesias: Ansião, Alvorge, Avelar, Chão de Couce, Lagarteira, Pousaflores, Santiago da Guarda e Torre de Vale de Todos, distando estas entre 8 a 3 km da sede do concelho.
Actualmente existe um movimento associativo bastante dinâmico, com cerca de trinta associações culturais, desportivas e recreativas.
Dados históricos
Ansião é um concelho rural de tradição histórica, sendo as mais remotas notícias relacionadas com esta região respeitantes aos tempos geológicos, e dizem-nos que há 190 milhões de anos todas estas terras estavam submersas.
Veio a pré-história e, quer a presença do Homem primitivo, quer a sua vivência neste concelho são atestados por alguns exemplares de machados de pedra polida, encontrados por estas paragens.
Desenrolou-se a conquista romana nesta região que também participou na Romanização, sendo bastante elucidativos os diferentes achados arqueológicos que nos certificam esta realidade: moedas, mosaicos, telhas, pesos de tear, colunas, mós e provavelmente a via romana, calçadas, etc.
Seguiu-se a dominação árabe que contribuiu para o engrandecimento da nossa cultura. O uso da balança, da nora, o cultivo de algumas plantas e a utilização de palavras iniciadas por al – Albarrol, Alqueidão, Alvorge, etc. – fazem parte da herança recebida. É durante o reinado de D. Afonso Henriques que pela primeira vez aparece escrito o vocábulo Ansião, que registado sob a forma Ansiom, consta no documento datado de 1175, referente à primeira parte da compra da herdade que o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra levou a efeito no ano acima mencionado.
Querendo estimular o povoamento destas terras, D. Afonso Henriques criou o concelho de Germanelo e deu-lhe foral em 1142, no qual determinava que, além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos quantos tivessem cometido crimes de homicídio, de furto, ou de qualquer outro tipo de perturbação pública, sob a condição de se de se refugiarem nas terras do Germanelo, de as cultivarem e de as defenderem dos ataques dos inimigos.
Em 1514, D. Manuel I concedeu foral novo aos concelhos de Ansião, de Avelar, de Chão de Couce e de Pousaflores, conservando ainda hoje, estas três últimas terras os seus primitivos pelourinhos, símbolos do poder jurisdicional de cada concelho.
D. Afonso VI elevou Ansião à categoria de vila, por Alvará datado de 20 de Junho de 1678, doou-a a D. Luís Meneses, 3.º Conde de Ericeira e o acontecimento foi perpetuado por um foral novíssimo que lhe concedeu D. Pedro II, e o senado do município mandou erigir um Padrão e o esbelto Pelourinho para assinalar o facto.
Com a reforma dos municípios, levada a efeito por D. Maria II, os concelhos de Avelar, Chão de Couce e de Pousaflores foram dissolvidos e, passando à simples categoria de freguesias, foram anexadas por D. Carlos I ao de Ansião que, devido a este aumento territorial, tomou as proporções que ainda hoje conserva.
Dados geo-económicos
O Concelho de Ansião é caracterizado por fracos relevos e solos pobres, e natureza predominantemente calcárea, grandemente deficitária em água. Possui um clima temperado marítimo de transição, com grande incidência de geadas nos meses de Inverno.
A Agricultura e as Indústrias transformadoras são as actividades que ocupam a maioria da população activa (35,5 % e 20,9 % , respectivamente). A Actividade Pecuária, como complemento da agrícola, tem vindo a aumentar nos últimos anos. As Indústrias, beneficiando fundamentalmente da implantação do I C 8 e I C 3, distribuem-se por três Zonas, localizadas nas Freguesias de Ansião (ZI Cooperativa), Chão de Couce (ZI Camporês) e Avelar (ZI Silveirinha), sendo um Concelho em franco progresso, onde o sector secundário assume bastante importância.

Imagens de Chão de Couce



forno medieval de Avelar

letra e música de S. Martinho


terça-feira, 9 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Niels Bohr | Biografias

Niels Bohr | Biografias

Hoje comemora-se o 127º aniversário do Físico Dinamarquês (7/10/1885 - 18/11/1962). Prémio Nobel de Física em 1922.

Oração de São Francisco de Assis pelos animais



No dia 4 de Outubro foi o dia dos animais, que tem como seu padroeiro S. francisco de Assis.

domingo, 22 de abril de 2012

SER TRANSPARENTE...




Às vezes, fico me perguntando por que é tão difícil ser transparente...

Costumamos acreditar que “Ser Transparente” é simplesmente
ser sincero, não enganar os outros.
Mas, “Ser Transparente” é muito mais do que isso...
É ter coragem de se expor, de ser
frágil, de chorar, de falar o que a gente sente...
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as “máscaras”, baixar as armas...
...destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...
Ser transparente é permitir que toda nossa doçura aflore, desabroche, transborde...
Mas, infelizmente, quase sempre, a maioria  de nós decide não correr esse risco...
Preferimos a dureza da razão
à beleza que exporia toda
a fragilidade humana...
Preferimos o “nó” na garganta às lágrimas
que brotam do mais profundo de nosso
ser...
Preferimos nos
perder numa busca
insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante de Deus e admitir que não sabemos, que temos medo.
Por mais doloroso que seja ter de construir uma “máscara” que nos distancia cada vez mais...
...de quem realmente somos e até do nosso Deus...preferimos assim:
Manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...
...e assim vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos!
Não porque sejamos pessoas mentirosas!
Mas, porque, como folhas secas, nos perdemos de  nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não contaminado!
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir...
...o que de mais precioso temos a  compartilhar com os irmãos... doçura, compaixão...compreensão...
...de que todos nós sofremos e às vezes nos sentimos sós, imensamente tristes
e choramos baixinho antes de dormir.
Num silêncio que nos remete à saudade de “nós mesmos”...
...daquilo que pulsa e grita dentro
de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!
Porque infelizmente, aprendemos que é
melhor revidar, descontar, agredir, acusar,
criticar e julgar do que simplesmente dizer: “você está me machucando...pode parar, por favor?”
Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro...
...quando, na verdade, se agíssemos deixando que a nossa razão ouvisse
também o nosso coração,
poderíamos evitar tanta dor... Tanta dor!
Não devemos ter medo dos confrontos...
mas sugiro que deixemos explodir toda
a nossa doçura!
Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis!
Que consigamos tentar não controlar tanto, responder tanto, competir tanto...
Mas confiar sempre!
Lembrando que “a vida é tão curta e a tarefa de vivê-la é tão difícil que quando começamos a aprendê-la, já é hora de partir...”
Sigamos na certeza de que...TUDO PASSA...
Que consigamos docemente viver...Sentir...
Amar...Ser Transparentes!
Certos de que esse momento que vivemos,
seja ele de muita alegria ou de dor...Vai passar!
E devemos seguir em frente,
sem olhar para trás, rumo à Eternidade, sempre
transparentes, porque
tudo passa,
mas somos
eternos...
Que Deus nos abençõe!
Paz e Luz!


Texto: Autor Desconhecido

domingo, 18 de março de 2012

Morena



Não negues, confessa
Que tens certa pena 
 Que as mais raparigas 
 Te chamem morena. 

 Pois eu não gostava, 
 Parece-me a mim, 
 De ver o teu rosto 
 Da cor do jasmim.

 Eu não... mas enfim 
 É fraca a razão, 
 Pois pouco te importa 
 Que eu goste ou que não. 

 Mas olha as violetas 
 Que, sendo umas pretas, 
 O cheiro que têm! 
 Vê lá que seria, 
 Se Deus as fizesse 
 Morenas também! 

 Tu és a mais rara 
 De todas as rosas; 
 E as coisas mais raras 
 São mais preciosas. 

 Há rosas dobradas 
 E há-as singelas;
 Mas são todas elas 
 Azuis, amarelas,
 De cor de açucenas, 
 De muita outra cor; 
 Mas rosas morenas, 
 Só tu, linda flor. 

 E olha que foram 
 Morenas e bem 
 As moças mais lindas 
 De Jerusalém. 
 E a Virgem Maria 
 Não sei... mas seria 
 Morena também. 

 Moreno era Cristo. 
 Vê lá depois disto 
 Se ainda tens pena 
 Que as mais raparigas 
 Te chamem morena! 


 Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Relógio Biológico - Conheça seu corpo e desfrute dos melhores momentos!


CURIOSIDADES - SÉRIAS - SOBRE AS NECESSIDADE DO
NOSSO CORPO REGIDAS PELA SEQUÊNCIA DAS HORAS














DESPERTAR
Das 7hs às 8hs
Quem gosta de acordar tarde já começa o dia em desvantagem.
À partir das 6h, o corpo produz um hormônio que faz
acordar, o cortisol.
Entre 7h e 8h, a taxa de cortisol no corpo atinge a
concentração máxima.
Essa faixa de horário é ideal para acordar com
facilidade e com o pé direito.

ATENÇÃO:

Voltar a dormir é um erro; por volta das 9h o corpo
começa a produzir endorfinas (analgésicos naturais)
que encorajam um sono pesado do qual será difícil
sair sem dor de cabeça ou mau-humor.






PRAZER

das 9hs às 10hs
A hora certa para as folias amorosas, já que a taxa de serotonina
(neuro-transmissor ligado ao prazer) está em seu apogeu. O prazer experimentado só será aumentado.
Por outro lado, também é a hora de marcar uma consulta ao dentista: as endorfinas, que também estão em alta nesse horário, funcionam como anestésicos naturais.

TRABALHO
das 10hs às 12hs
O estado de vigilância atinge o seu pico e a memória de curto prazo
(que guarda coisas como um número de telefone que olha na lista, é
retido por alguns segundos e esquecido na sequência) está mais activa.
Depois que as endorfinas presentes entre 9hs e 10hs desaparecem, o organismo atinge a sua velocidade ideal. É o momento certo para reflectir, discutir ideias e encontrar inspiração.

DESCANSO
das 13hs às 14hs
A moleza que dá depois do almoço não se deve unicamente à digestão,
mas também a uma queda de adrenalina que acelera o ritmo cardíaco.
Para retomar a disposição, basta uma sesta de 20 minutos.

MOVIMENTO
das 15hs às 16hs
A forma física encontra o seu apogeu no meio da tarde, ao mesmo
tempo em que a capacidade intelectual diminui. Como não há produção
de hormônios específicos nesse horário, os cronobiologistas ainda não encontraram uma explicação para o fato.

RUSH
das 18hs às 19hs
A partir das 18h, o organismo fica particularmente
vulnerável à poluição e ao monóxido de carbono. Convém então limitar o
consumo de cigarros e evitar se possível, os engarrafamentos. Também é
nesse horário que a actividade intelectual e o estado de vigilância atingem um novo pico, hora certa de mandar as crianças fazerem a lição de casa, por exemplo.

RISCO de PILEQUE
das 20hs às 21hs
Se esse horário costuma coincidir com o aperitivo de antes do jantar.
É bom saber que é também o momento em que as enzimas do fígado
estão menos activas, o que faz com que se fique bêbado bem mais rápido.
Evite tomar bebidas alcoólicas!

SONO
à partir das 20hs...
A melatonina (hormônio do sono) invade progressivamente o corpo a partir das 18h. Mas é às 20h que aparece o primeiro momento ideal para dormir, sucedido por outros iguais a cada duas horas. Para ajudar a cair no sono, fazer amor é uma excelente ideia: o prazer sexual desencadeia
a secreção de endorfinas no cérebro, favorecendo o adormecimento.

REGENERAÇÃO
das 21hs a 1h
Esta fase do sono é muito importante porque coincide com o pico da produção do hormônio do crescimento, indispensável para a renovação das
células e a recuperação física. Esse hormônio permite que os conhecimentos adquiridos na véspera sejam armazenados no cérebro.


Fonte: Yvan Touitou, Médico Cronobiologista da Faculdade de Medicina Pitié- Salpêtrière – FRANÇA.

Nascimento do Orkut


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A minha milu...

video

História do Bolo-Rei, brindes e favas







História do Bolo-Rei, brindes e favas

do livro Cozinha Tradicional Portuguesa
 
da
 Editoral Verbo
História do Bolo-Rei, brindes e favas

"De onde vem este bolo que tem nome de rei e é hoje conhecido em todo o país, tendo-se tornado (quase) obrigatório em todas as mesas, entre o Natal e o dia de Reis?
Diga-se desde já que, apesar da popularidade de que goza entre nós, o bolo-rei tem origem francesa e para explicar tanto a fava como o brinde, teremos de recuar bastante no tempo, mas já lá vamos à história, que até tem pormenores bem interessantes.
Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se vendeu em Lisboa o bolo-rei foi a Confeitaria Nacional, certamente depois de 1869, como a seguir se verá.
A confeitaria foi fundada em 1829 por Baltasar Rodrigues Castanheiro e, quando abriu, tinha apenas duas portas para a rua da Betesga, que liga o Rossio à Praça da Figueira.
Alguns anos depois, foram feitas obras de ampliação e a casa ficou com quatro portas para a referida Rua da Betesga e outras quatro para a rua dos Correeiros.
Baltasar Rodrigues Castanheiro esteve à testa da casa durante quarenta anos. Quando morreu, em 1869, sucedeu-lhe seu filho, Baltasar Rodrigues Castanheiro Júnior, que logo nesse ano fez importantes melhoramentos, designadamente um elegante salão de chá no primeiro andar.
 
Deve-se-lhe também a introdução do bolo-rei, feito segundo uma receita que trouxe de paris.
Em Lisboa de Lés a Lés (vol. II, pág.140), Luís Pastor de Macedo recorda que no Dia de Reis, a Nacional fazia um "negócio de mão-cheia", o que se explica em poucas palavras: «É que ela fora a primeira onde o afamado bolo-rei se vendeu em Lisboa, bolo sempre ali feito por uma receita que Baltasar Castanheiro Júnior trouxera de Paris.»
 
O bolo era feito por um mestre confeiteiro, o Gregório, que também veio de Paris.
Por essa altura, durante a quadra natalícia, a Confeitaria Nacional oferecia aos Lisboetas «uma exposição de doces, de grandes construções de açúcar e amêndoa, de bolos de ovos de entre os quais se destacava uma afinidade de estonteantes e bojudas lampreias, de prodigiosas fantasias enconfeitadas e de tudo quanto de mais delicado e original a arte dos doces podia então produzir».
a pouco e pouco, a receita do bolo-rei generalizou-se.
Outras confeitarias de Lisboa passaram a fabricá-lo, o que deu origem a versões diversas, que de comum tinham apenas a fava.
 
No Porto, foi posto à venda pela primeira vez em 1890, por iniciativa da Confeitaria de Cascais, na Rua de Santo António/Rua 31 de Janeiro. Diz-se que este bolo-rei foi feito segundo receita que o proprietário daquela confeitaria, Francisco Júlio Cascais, trouxera de Paris.
Inicialmente, só era fabricado na véspera do Dia de Reis, mas a partir de 1920, a Confeitaria de cascais passou a ter bolo-rei quase todos os dias.
Na altura, já muitas confeitarias de Lisboa o vendiam.
 
A propósito, José Leite de Vasconcelos recorda este anúncio publicado no Diário de Notícias, em 10 de Janeiro de 1910: «Bolo-Rei- Vem de longa data a justa fama do delicioso Bolo-Rei da Confeitaria Primorosa, da R. de S.Paulo, 130 e 132, na verdade é um dos melhores que se fabricam em Lisboa.
Por isso têm sido numerosas as formadas, que se prolongam ainda por toda esta semana, visto ter uma extracção rápida essa tão fina especialidade.»

De bolo-rei a bolo Arriaga

Temos assim que o bolo-rei atravessou com êxito os reinados da Rainha D. Maria II e dos reis D. Pedro, D.Luís, D.Carlos e D. Manuel II.
Com a República, houve alguns problemas que depressa foram ultrapassados.
 
Vieram depois sem novidade o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano e a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Em boa verdade, os piores tempos para o bolo-rei foram os que se seguiram à proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910.
Meses depois, em 7 de Janeiro de 1911, o Diário de Notícias não fazia as coisas por menos: «O bolo-rei tende a decair ou desaparecer-Terá de ser substituído?»
Poderá parecer estranho, mas a proclamação da República pôs em risco e existência do bolo-rei, na altura já considerado tradicional.
 
Tudo por causa da palavra rei, «símbolo do poder supremo», dizia o Diário de Notícias, que numa lógica que hoje nos faz sorrir, acrescentava na sua notícia-comentário: «Ora, morto este símbolo, o bolo tinha de desaparecer ou tomar o expediente de se mascarar para evitar a guerra que lhe podia ser feita.»
Em face disto, que fizeram os industriais de confeitaria? Partindo do princípio de que o negócio é negócio e política é política, seguiram naturalmente a segunda via, ou seja, continuaram a fabricar o bolo-rei, mas sob outra designação.
Os menos imaginativos passaram a anunciar um bolo que dava pelo nome de ex-bolo-rei, mas a maioria preferiu chamar-lhe bolo de Natal e bolo de Ano Novo.
 
A designação de bolo nacional era talvez a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que introduziu o bolo-rei em Portugal e também para uma certa ideia relacionada com Portugal, o que fica sempre bem em períodos revolucionários.
Não contentes com nenhuma destas soluções os republicanos mais radicais chamaram-lhe bolo Presidente e até houve quem anunciasse...
bolo Arriaga! Não se sabe como reagiu o primeiro presidente da República, Manuel de Arriaga, mas convenhamos que a homenagem dos confeiteiros não foi a melhor.

O brinde e a fava

Já se disse que a receita do bolo-rei veio de Paris.
Isto parece hoje fora de dúvida, apesar das reticências de José Leite de Vasconcelos: O bolo-rei ou bolo das favas é de provável origem francesa.»
Acrescenta-se agora que o bolo-rei popularizado em Portugal no século passado não tem nada a ver com a «galette de rois» que era o bolo simbólico da Festa dos Reis na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, nomeadamente na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada, recheada ou não de creme.
O «nosso» bolo-rei segue a receita utilizada a sul do Loire, um bolo em forma de coroa, feito de massa levedada (massa de pão).
Acrescenta-se, de qualquer modo, que ambos os bolos continham uma fava simbólica, que nem sempre era uma verdadeira fava, podendo ser um pequeno objecto de porcelana.
Referindo-se ao bolo-rei, leite de Vasconcelos acrescenta que ele tinha dentro uma moeda ou uma fava.
a moeda relacionava-se com o culto dos mortos.
Quanto à fava, já no século XVI, na Alsácia, se punha a hipótese de ela aludir ao banquete dos mortos, do mesmo modo que a moeda «dava» ao morto a possibilidade de comprar o direito de regressar.
Que se saiba nunca nenhum fez uso dessa possibilidade...
Feitas as contas e dando um salto no tempo, temos hoje que o bolo-rei inclui um brinde e uma fava.
O brinde é um pequeno objecto metálico sem outro valor que não seja o de símbolo, e mesmo assim pouco evidente para a maioria das pessoas.
A fava representa uma espécie de azar: quem ficar com ela tem que comprar outro bolo-rei.

Gâteau des Rois

Os romanos costumavam votar com favas, prática introduzida nos banquetes das Saturnais, durante as quais se procedia à eleição do Rei da Festa, também chamado Rei da fava.
Diz-se que este costume teve origem num inocente jogo de crianças, muito frequente durante aquelas festas e que consistia em escolher o rei, tirando-o à sorte com favas.
O jogo acabou por ser adaptado pelos adultos, que passaram a utilizar as favas para votar nas assembleias.
Como aquele jogo infantil era característico do mês de Dezembro, a Igreja Católica passou a relacioná-lo com a Natividade e ,depois, com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro.
A influência da Igreja na Idade Média determinou a criação do Dia de Reis, simbolizado por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece.
De qualquer modo, a festa de Reis começou muito cedo a ser celebrada na corte dos reis de França.
O bolo-rei teria surgido no tempo de Luís XIV para as festas do Ano Novo e do dia de Reis.
Referem-se-lhe vários escritores, e Greuze celebrou-o num quadro, exactamente com o nome de Gâteau des Rois.
Com a Revolução Francesa (1789), este bolo foi proibido.
 
Só que os confeiteiros tinham ali um bom negócio, e em vez de o eliminarem, passaram a chamar-lhe Gâteau des sans-cullottes.
Em Portugal, depois da proclamação da República, não chegou a ser proibido, mas andou lá perto.
Com excepção desse mau período, a história do bolo-rei é uma história de sucesso, e hoje como ontem as confeitarias e pastelarias não se poupam a esforços na sua promoção."